Mortes, sequestros e tortura: a cidade baiana que tem motoristas de aplicativo na mira do “tribunal do crime”

Investigações apontam que profissionais foram sequestrados, mortos ou confundidos com informantes do crime organizado.

Motoristas de app foram sequestrados, torturados e até mortos em Eunápolis Crédito: Reprodução

O sequestro de um motorista de aplicativo resultou em uma operação contra crimes de homicídio, tortura, extorsão, cárcere privado e ocultação de cadáver em Eunápolis, no extremo sul da Bahia. A Operação Libertatis, realizada na manhã de terça-feira (2), teve como alvo integrantes do grupo apontado como responsável por manter um verdadeiro “tribunal do crime” na cidade.

O grupo, de acordo com informações de policiais ouvidos pela reportagem, tem como uma de suas categorias sob mira os motoristas de aplicativo. Registrado no dia 6 de março, o último caso em que um profissional foi alvo dos criminosos no município ocorreu após ele aceitar uma corrida com destino ao bairro Parque da Renovação, chegar ao local e ser rendido.

Segundo a Polícia Civil, o homem foi levado para uma área de mata utilizada pela organização criminosa, onde permaneceu em cárcere privado e sofreu agressões físicas e psicológicas. Após diligências realizadas pelos investigadores, o cativeiro foi localizado e a vítima foi encontrada ainda com vida.

Durante a ação de resgate, os suspeitos teriam atirado contra os policiais antes de fugir por uma extensa área de vegetação. A partir da identificação dos envolvidos, a investigação chegou à operação desta terça-feira (2). Na ação, um dos alvos foi localizado e outros quatro seguem foragidos.

O delegado e coordenador regional da 23ª Coorpin, Moabe Lima, explica que, apesar de a categoria ser formada por trabalhadores, alguns motoristas de aplicativo acabam sendo cooptados por facções criminosas e, por consequência, passam a ser alvo ao circular por áreas ocupadas por grupos rivais.

“Vou te dar um exemplo: tem estelionatário praticando golpes que está desviando a nossa possibilidade de localizar os IPs das máquinas que eles utilizam. Eles colocam o equipamento no carro de um motorista de app e pagam o motorista. O motorista continua fazendo as corridas dele, mas com o equipamento no carro”, explicou o delegado.

Segundo ele, parte dos crimes envolvendo motoristas de aplicativo tem relação indireta com a dinâmica do tráfico de drogas e das facções criminosas. Ele afirma que alguns profissionais acabam se envolvendo em atividades ligadas a grupos criminosos e, quando essa ligação se torna conhecida por facções rivais, podem passar a ser alvo de violência, incluindo ameaças, sequestros e homicídios.

“Aqui já teve facção que pagou um motorista de aplicativo para transportar restos mortais de uma vítima que foi decapitada. Em outro caso, no dia do ataque ao diretor do presídio, um motorista foi pago para levar um dos envolvidos para fora da cidade. Os caras sabem o que estão fazendo. O problema é que muitos enxergam isso como um dinheiro fácil e acreditam que não vai acontecer nada. Mas acontece”, completa Lima.

Fonte: Bahia Notcias

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