Polícia Civil investiga mortes de bebês após cirurgias em hospital da Zona Leste de SP

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar mortes de bebês e crianças de até três anos após procedimentos cirúrgicos no Hospital Salvalus, localizado na Rua Bresser, no bairro da Mooca, Zona Leste da capital paulista. A unidade integra a rede Hapvida, do grupo NotreDame Intermédica.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), pelo menos seis mortes estão sob investigação no 8º Distrito Policial. As autoridades apuram as circunstâncias dos óbitos, que teriam ocorrido após complicações relacionadas a infecções hospitalares, incluindo casos de sepse, uma infecção generalizada que pode provocar falência de órgãos.

Os casos teriam ocorrido desde o início do ano e foram formalmente comunicados às autoridades na quarta-feira, 21 de outubro. Segundo a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes em entrevista à TV Globo, que representa três mães, o número de famílias que perderam filhos após cirurgias realizadas no hospital pode chegar a 19 nos últimos seis meses.

Conforme a representante, foram registrados boletins de ocorrência em diferentes localidades, incluindo Praia Grande, Itaquaquecetuba e a capital paulista, onde há registros em delegacias como a do bairro de Vila Maria. A assistente jurídica afirma que parte dos casos ainda não foi formalizada ou encaminhada ao 8º Distrito Policial, responsável por centralizar as investigações.

“São crianças que deram entrada para fazer cirurgias de má formação, digestivas ou de correção que tinham chance baixíssima de morte, mas que tiveram infecção generalizada e faleceram. As famílias estão desoladas”, relata.

Eduarda informou que pretende acompanhar outras famílias ao 8º DP na próxima semana para registrar novas ocorrências. Os relatos apresentados pelas famílias ainda dependem de apuração pelas autoridades, e as circunstâncias de cada morte deverão ser esclarecidas individualmente.

Em nota, a Polícia Civil informou que realiza diligências para esclarecer as causas dos óbitos. Entre as medidas previstas estão a coleta de depoimentos de testemunhas e profissionais de saúde, além da análise dos prontuários médicos das crianças.

A investigação deverá apurar as circunstâncias dos procedimentos cirúrgicos, a evolução dos quadros clínicos e a eventual relação entre as complicações relatadas e as mortes. Até que as apurações sejam concluídas, não há confirmação de uma causa comum para os casos.

Procurado, o Hospital Salvalus declarou que, até o momento, não havia recebido notificação formal referente aos procedimentos mencionados. A instituição afirmou, porém, que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.

O hospital também ressaltou que considera os relatos graves, mas ponderou que “situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica”. A unidade afirmou ser referência no atendimento de gestantes de alto risco e em pediatria de alta complexidade.

Fonte: Bahia Noticias

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